DAS MENTIRAS QUE EU NÃO CONTEI...
Do pouco que julgo ter aprendido sobre a mentira, ou melhor, sobre a prática de mentir, sei que posso levar algumas “lições úteis”... Não pretendo fazer um apontamento meramente moral sobre ela, mas queria dividir um pouco sobre o que aprendi mentindo, sendo “pega” e pegando pessoas na mentira. Ainda que compreendendo as razões de cada um para isso...
Uma das coisas que aprendi sobre a mentira é que ela pode ser – e geralmente é – uma forma de esconder algo. Mas, também pode ser uma forma de revelar, principalmente sobre como as pessoas lidam com a “verdade” (conformidade com o real, representação direta de alguma coisa que a gente vive e /ou pensa).
Quando “pegamos” alguém “na” mentira , é como se por um instante virássemos psicólogos, animais coléricos (quando ela nos atinge e respondemos instintivamente) , ou simplesmente caçadores d@ mentiros@. É como se “a presa” estivesse ali exposta para nós e sem saber que está sendo “observada” pela (o) caçadora (o). Enquanto @ mentiros@ acha que só el@ sabe de sua mentira, a gente pode manipular se fazendo de “besta”, podemos nos afastar dessa pessoa ou ter uma conversa franca com ela. Em suma, existem n’ possibilidades. Por isso, uma das coisas que aprendi é que se for mentir, que a gente se certifique que essa mentira vai ser de fato “necessária” e/ou eficiente (secreta). Se for para sermos mentiros@s em algumas situações, que sejamos mentirosos eficientes e conseqüentes.
Ainda sobre a mentira, sabemos que nem sempre mentimos por uma razão meramente egoísta, como; mentir pra se proteger, para tirar vantagem, para não assumir responsabilidades, mentir coletivamente, e por aí vai... Às vezes mentimos a pedido de alguém, mentimos por um momento por achar que poderemos fazer uma discussão delicada em outra oportunidade, mentimos muito para as crianças que por vezes não compreendem a barbárie do nosso mundo, mentimos para não nos expor, para não mostrar algo de nós que não queremos mostrar. Afinal, a mentira também tem suas razões.
Também mentimos para nós mesmos, principalmente quando não queremos encarar uma realidade que nos é posta e que a gente não quer ver ou queremos ver de outra forma. Inclusive, esse último caso (de mentir para se mesmo), talvez seja uma das condições mais perigosas da mentira, pois a gente acaba não fazendo e nem correndo atrás do que a gente realmente quer com as realidades que são postas em nossas vidas, abdicando de sermos sujeitas da nossa “história real”.
Outro perigo da mentira é o seu uso “indiscrimidado” , quando é “usada” de forma muito freqüente e inconseqüente, como se fosse uma comida que necessitássemos de horas em horas, nos parece revelar um comportamento um tanto “covarde” ou talvez “patológico”, de fuga da “realidade” ou da “insensibilidade sobre as conseqüências da mentira” em sua vida e na vida das pessoas que se relacionam conosco. Precisamos ter cuidado com o uso da mentira, porque acredito que devemos ter em vista o uso da franqueza em nossas relações, que historicamente em nossa sociedade traz como conseqüências relações mais honestas, confiantes e duradouras.
Tendo o uso da verdade como perspectiva, por mais que essa seja apenas um ponto de vista pessoal sobre alguma coisa ou situação, quando ela se apresenta no lugar de uma mentira a gente acaba tendo uma postura franca (por vezes corajosa) de encarar as coisas, isso não só nas nossas relações com as pessoas, mas também com nós mesm@s.
Se “só a verdade é revolucionária”, ser franco talvez seja a forma mais libertária e visceral de se relacionar conosco e com as pessoas.
Precisamos aprender a ser francos sim, inclusive, quando mentimos.